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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bope quer trocar uniforme preto por ser 'alvo fácil' e para evitar calor.

Proposta é usar farda esverdeada, inspirada em americanos no Iraque.
A cor preta, no entanto, poderá ser usada em operações noturnas.




Com termômetros marcando até 40º C neste verão, os homens de preto do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio podem ganhar uniformes mais leves e de cores mais claras. O projeto, ao qual o G1 teve acesso, é do subcomandante da unidade, tenente-coronel Fábio Souza.

Uma pesquisa realizada com policiais do Bope mostrou que 65,79% dos agentes acham o uniforme atual inadequado para ações em favelas cariocas. Destes, 48% reclamaram do calor da roupa de trabalho e 28% ressaltaram que a farda preta torna os agentes "alvos fáceis".

Preto é identificado 2 vezes mais rápido
Pensando nisso, foram feitos testes na Favela Tavares Bastos, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, onde fica a sede do batalhão. Neles, foi possível comprovar a reclamação dos agentes. Em comparação com o uniforme camuflado proposto, os policiais de vestimentas pretas foram identificados duas vezes mais rápido do que os de roupas claras.

A ideia é usar o padrão digitalizado, inspirado no modelo norte-americano, que é mais leve, feito de algodão e poliamida, semelhante aos usados no Iraque e no Afeganistão. O tecido, segundo a polícia, é ainda resistente a chamas e seca mais rápido.
Policiais durante operação do Bope na Vila Cruzeiro nesta sexta-feira (26) (Foto: Felipe Dana/AP)Policiais durante a megaoperação na Vila Cruzeiro
em novembro (Foto: Felipe Dana/AP)




Calor vira sacrifício para policiais
O uso do uniforme preto, diz o documento, “se torna um sacrifício extra com possíveis casos reais de desidratação e intermação" e, "em indivíduos com condições de estresse máximo por calor, o mecanismo de transpiração torna-se ineficiente”.

O relatório do tenente-coronel lembra ainda que, o estado do Rio, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), fica exposto ao sol, em média, 173 horas por mês. “A cor preta absorve a luz solar, não a refletindo completamente e, com isso, retém calor”, diz o documento.

Preto continua para ação noturna
O projeto, ainda sem data certa para entrar em vigor, propõe a mudança apenas para operações policiais em morros e favelas durante o dia.

A pesquisa apresentada no relatório afirma, no entanto, que 96,05% dos policiais acham que o uniforme preto é eficiente para operações de resgate e retomada de reféns. Por isso e pelos testes, a unidade propõe que o uso do preto seja mantido em ações noturnas e de resgate.
Policial do Bope durante operação na Vila Cruzeiro nesta quinta-feira (25) (Foto: Felipe Dana/AP)Policial do Bope em frente a blindado da Marinha,
durante operação na Vila Cruzeiro
(Foto: Felipe Dana/AP)



Policiais em ação carregam 25 kg
Segundo a polícia, o uniforme atual usado pelas equipes que atuam nas ocupações em favelas pesa cerca de 25 kg. A farda inclui colete tático preto (com local para colocar carregador de armas, rádio e kit de primeiros socorros), colete balístico, joelheiras, cotoveleiras, cantil, coturno, capacete, cinto de guarnição e coldre, todos pretos, além de uma pistola como segunda arma, e um fuzil como armamento principal.

Desde a criação do Bope, os agentes da unidade usavam farda azul marinho, sem coletes balísticos nem capacetes, apenas com um suspensório, cinto de guarnição, um boné e par de coturnos. A cor preta foi implantada em 1992, inspirada na tropa inglesa conhecida como SAS (Special Air Service), mas, na época, não foi realizado nenhum tipo de validação científica. A cor preta era vista como arma psicológica e tinha por objetivo principal intimidar o inimigo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ASFALTO ECOLÓGICO ESTÁ SENDO TESTADO EM ESTRADAS PELO GOVERNO DO RIO.


O governo do Rio de Janeiro começou a testar asfalto sustentável como alternativa para aumentar a segurança nas estradas e espera adotar a iniciativa em todo o estado

O asfalto ecológico, como está sendo chamado, deixa a pista menos escorregadia em dias de chuva e tem maior durabilidade. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) informou hoje (13) que, além do esforço ecológico, a ideia é ter uma produção de asfalto de melhor qualidade e com baixo custo. Para testar o novo tipo de pavimentação que usa uma mistura com pneus triturados, a primeira estrada brasileira a receber 35 quilômetros desse tipo de asfalto será a RJ-122, conhecida como Rio-Friburgo, rodovia que liga os municípios de Guapimirim e Cachoeiras de Macacu, na região metropolitana do Rio.
O diretor de Obras do DER-RJ, o engenheiro Ângelo Pinto, afirmou que cada metro quadrado de asfalto ecológico retira do meio ambiente o equivalente a um pneu usado.
“Além de conseguir gastar [na fabricação do asfalto] uma quantidade muito grande de pneus, esse pavimento com alta viscosidade, elevado percentual de borracha, permite uma redução de ruído muito grande”, explica o engenheiro. Ele destaca que a mistura garante uma massa asfáltica com alto coeficiente de atrito, aumentando a performance dos carros. Com isso, é possível reduzir o número de acidentes nas pistas.
O diretor afirma que a obra será concluída no segundo semestre do ano que vem e a expectativa é que o piso tenha a durabilidade de 20 anos, o dobro em relação a recapeamentos comuns. Segundo Ângelo Pinto, a utilização dessa tecnologia vai depender da conveniência, logística e disponibilidade de pneus em cada obra, que segue a orientação dos secretários municipais. Entretanto, ele afirma que “é uma tendência que [o asfalto ecológico] seja usado cada vez mais em rodovias”.
Segundo o DER-RJ, outras pesquisas com polímeros à base de borracha estão sendo feitas para aumentar a segurança e o conforto dos condutores nas estradas.
Uma usina móvel foi instalada em Cachoeiras de Macacu para produzir o material, que foi inventado em 1960, no Arizona (Estados Unidos), mas só foi liberado para uso em escala industrial após a quebra da patente do produto, em 1998.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dia 25 de Agosto – Dia do Soldado.


NO RIO OS POLICIAIS TEM QUE SER SOLDADOS.










O dia do soldado é comemorado no dia 25 de Agosto. A data, que tem por objetivo homenagear o trabalho dos membros do Exército Brasileiro, foi instituída em homenagem a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército brasileiro, nascido em 25 de agosto de 1803. Com pouco mais de 20 anos já era capitão. Luís Alves de Lima e Silva – Duque de Caxias -lutou e defendeu o Brasil em confrontos externos e internos.

Soldado é uma graduação do fundo da hierarquia militar. O termo soldado deriva do latim solidarius – alguém que é pago para servir.

No Brasil, o serviço militar é obrigatório por lei desde 1908. Ao completar 18 anos, todo rapaz deve se cadastrar em alguma das forças armadas (Marinha, Exército ou Aeronáutica). Na estrutura do governo brasileiro, estas estão integradas ao Ministério da Defesa e tem por objetivo a defesa dos direitos constitucionais.

A carreira de soldado proporciona ao jovem o aprendizado de valores como disciplina, organização, amor à pátria, solidariedade e perseverança, entre vários outros que orientam suas atividades dentro e fora do quartel.

O soldado exerce atividade em tempos de guerra e na manutenção da paz, dentro e fora do país. Presta auxílio à população em situações de calamidade.

Ao longo do século XX, o Dia do Soldado foi perdendo a sua popularidade e não mais é um dia público de festividade, nem mesmo são mais organizadas paradas militares em sua honra. Hoje as forças armadas brasileiras são homenageadas no dia 7 de Setembro, quando é comemorada a independência do Brasil de Portugal, ou no dia 15 de novembro, data em que se comemora a Proclamação da República.

Ministério da Saúde amplia atendimento contra o câncer no SUS.


Foram incluídos 9 tratamentos, entre os quais câncer de fígado e de mama.
Valor pago por 66 procedimentos foi aumentado em até dez vezes.

O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (25) a inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS) de nove novos tratamentos para câncer de fígado e de mama, leucemia aguda e linfoma. O pacote de medidas também prevê ampliação, em até 10 vezes, do valor pago por 66 procedimentos já realizados por hospitais conveniados.

Foram liberados R$ 412,7 milhões para serem investidos na reestruturação da assistência em oncologia no Sistema Único de Saúde (SUS). “Esta é a maior mudança na atenção oncológica desde 1999, quando foi instituída a nova política para o setor. As alterações vão impactar de forma muito positiva na qualidade do atendimento dos 300 mil brasileiros que todos os anos acessam o Sistema Único de Saúde para o tratamento do câncer”, disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Nesta quarta, Temporão assinou duas portarias que reestruturam o setor e permitem a liberação de recursos a estados, Distrito Federal e municípios. “Esses investimentos a mais projetam o gasto global do Ministério da Saúde para o tratamento dessa doença para R$ 2 bilhões”, afirmou.

A aprovação dos novos valores vai permitir que esquemas quimioterápicos recentes, que adotam novos medicamentos, possam ser adquiridos e fornecidos pelos hospitais habilitados no SUS para tratar o câncer. “Estas mudanças permitem remunerar melhor os procedimentos, como também que novas técnicas e novas tecnologias sejam colocadas à disposição dos pacientes”, disse o ministro. “Permitem, por exemplo, a utilização no SUS de novas drogas, como o Rituximabe (nome comercial Mabthera), medicamento indicado para linfoma”, completou Temporão.

Além dos novos tratamentos, os recursos adicionais serão usados também no reajuste do valor pago pelo SUS aos hospitais que realizam serviços de radioterapia.

Temporão negou que as medidas anunciadas tenham caráter eleitoreiro e afirmou que vinham sendo estudadas pelo governo há oito meses.

Tratamento mais inteligente
O Rituximabe é um medicamento de anticorpos monoclonais, que combatem as células cancerosas preservando as sadias. Como não estava disponível no SUS, até hoje, os usuários da rede pública com linfoma vinham sendo submetidos à quimioterapia convencional, que não assegura os mesmos resultados.

O pacote anunciado por Temporão também lança novas diretrizes diagnósticas e terapêuticas: para o tratamento de câncer no intestino, pulmão e fígado, e para linfoma difuso de grandes células e tumor cerebral. As cinco diretrizes ficarão em consulta pública por 40 dias, para que a comunidade científica apresente propostas e sugestões.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Lula sanciona Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Cidades terão de oferecer coleta seletiva e acabar com os lixões

Gustavo Gantois, do R7, em Brasília










O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (2), a Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Aprovada pelo Congresso Nacional após quase 20 anos de tramitação, a nova lei estabelece regras para a gestão de mais de 57 milhões de toneladas de lixo geradas todos os anos.

Entre as novidades, a lei prevê o fim dos lixões e a obrigatoriedade de Estados e municípios elaborarem um plano de coleta seletiva. Com isso, as prefeituras terão de construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderá ser depositado o lixo sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou reciclagem. Hoje, apenas 7% dos municípios brasileiros dispõem de coleta seletiva.

No ano passado, o Brasil importou cerca de 170 mil toneladas de resíduos, fazendo crescer ainda mais o número de catadores de lixo, hoje estimados em 800 mil pessoas. Por isso mesmo, a lei também prevê a proibição de catadores de lixo morarem ou criarem animais nos aterros sanitários, além da importação de qualquer tipo de resíduos. Para o presidente Lula, essa é a maior vitória da nova política.

- Essa lei organiza uma série de instrumentos que estavam dispersos sem perder de foco a questão social. Ela trata da preservação ambiental e da proteção da saúde humana. Mas o seu maior mérito é a inclusão social de trabalhadores que estavam excluídos pelo poder.

Para o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Lixo, Severino Lima Junior, eles passaram a ser “participantes da política” com a sanção da lei. Um dos artigos do novo texto desobriga empresas públicas de fazer licitações para a contratação de cooperativas de catadores, o que pode abrir mercado justamente entre os municípios.

- Antes, não existíamos. Hoje, somos participantes dessa nova política. Queremos tirar nosso sustento da coleta seletiva. Temos orgulho disso. Mas ainda queremos uma vida mais digna, sendo reconhecidos como empreendedores sociais.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos também prevê o sistema de logística reversa, no qual empresas responsáveis pela fabricação e comercialização de produtos recicláveis e reutilizáveis deverão recolher esses materiais do mercado. Foram incluídos nesse sistema agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas e eletroeletrônicos.

Mas tudo isso ainda precisa ser regulamentado. O presidente Lula cobrou publicamente que dará dará três meses para que o texto da lei seja discutido pelos ministros que participaram das discussões, colocando a Casa Civil como responsável por cobrar cada um deles.

- Nós não podemos passar mais de 90 dias para regulamentar essa lei. Outro dia fiquei sabendo que ficamos quase dois anos sem regulamentar uma lei aí e me avisaram num congresso com arquitetos. Para que diabos a gente faz uma lei que não precisa regulamentar? Vou colocar a Erenice [Guerra, ministra-chefe da Casa Civil] para cobrar de cada um dos ministros. Quero isso valendo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Aquecimento pode obrigar cidades a repor areia das praias, diz cientista.

Preenchimento protegeria edifícios nas orlas urbanas.
Material, contudo, teria que ser semelhante ao que já existe no local.

Iberê Thenório
Do G1, em Natal.


As cidades litorâneas do Brasil precisam se preparar para comprar areia. Muita areia. Segundo o pesquisador Dieter Muehe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a elevação do nível dos mares pelo aquecimento global pode obrigar os municípios a reporem as praias “engolidas” pelo oceano.

De acordo com Muehe, esse tipo de intervenção - comum em locais em que o mar causa muita erosão - pode se tornar cada vez mais necessária nas praias urbanas, pois nelas a areia não pode recuar em direção ao continente com a subida do nível do mar, já que na maior parte dos casos há muros ou ruas na beira da água.









Praia da MacumbaComparação mostra a Praia da Macumba, no Rio de Janeiro, em 2007 e em 2009. Segundo Muehe, construções à beira mar impedem que a areia recue em direção ao oceano, tornando as praias urbanas mais fáceis de serem 'engolidas' pelo mar.(Foto: Dieter Muehe/Arquivo Pessoal)

O pesquisador, autor do estudo “Erosão e Progradação do Litoral Brasileiro”, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2007, é considerado um dos maiores especialistas brasileiros no estudo do litoral.

Edifícios
Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), da ONU, a elevação da temperatura do planeta pode causar um aumento entre 18 e 59 cm no nível do mar até 2100. A previsão, apesar já ser preocupante, é considerada modesta por muitos especialistas.

Além de garantir de volta a área usada pelos banhistas, preencher novamente as praias poderia proteger as construções litorâneas, segundo o pesquisador da UFRJ. “Se não for feito o aterramento, os muros que cercam as praias vão junto com a erosão e o mar vai começar a atingir os prédios”, explicou o especialista durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre nesta semana em natal.

Boa qualidade
Devolver a areia às praias, contudo, não será tarefa simples. “É necessário avaliar de onde tirar areia, já que a que vai ser colocada tem que ser parecida com a original”, avisa Muehe. A matéria-prima usada na construção, por exemplo, seria muito grossa, além de cara.

Uma possível fonte de areia de boa qualidade é a que fica próxima às praias, no fundo do mar, explica o pesquisador. “Uma área em que a areia pode ser retirada é a plataforma continental, mas não pode ser em profundidades maiores do que 10 metros, pois ficaria muito próximo à costa, e também não pode ficar muito longe, pois aí a areia começa a juntar com lama, com carbonato.”

Outro problema, explica o especialista, é que a obra teria que ser refeita de tempos em tempos, já que as ondas tenderão a levar a areia de volta para o mar.

Ventos
Muehe conta que não é apenas o aumento do nível do mar que pode interferir no desaparecimento de algumas praias. Com o aquecimento global, pode haver mudança de direção dos ventos, quebrando o equilíbrio natural de transporte de sedimentos no mar.

Outro fator que pode diminuir a areia nas praias é a construção de barragens nos rios, já que elas impedem as grandes enchentes, responsáveis por levar terra para o mar.

Em situações específicas, de acordo com Muehe, a elevação dos oceanos pode causar o aumento da faixa de areia. É o que pode acontecer se as ondas atingirem falésias – penhascos à beira mar, mais comuns no Nordeste Brasileiro. Nesse caso, a erosão poderá desgastar as rochas e aumentar a disponibilidade de areia. Isso só ocorreria, contudo, em locais onde não houvesse barreiras artificiais em volta da praia.

Rio usará 'tinta invisível' em balas de armas da polícia.

G1.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro anunciou hoje a adoção da "tinta invisível" nos projéteis das armas de policiais de batalhões e delegacias do Estado. O objetivo é identificar as trajetórias dos tiros disparados pelos policiais nos casos de balas perdidas e execuções sumárias. O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Trata-se de um aditivo para a perícia forense. Nossa tecnologia não invalida as demais ferramentas de investigação. O produto é mais barato que o luminol e poderíamos colocar a tinta nas armas de todos os batalhões e delegacias", disse o coordenador do Lasape, professor Antônio Cerqueira Lopes. Ele afirmou que falar sobre custos "seria leviano", mas disse que a tinta é abundante no mercado e de fácil manipulação.

De acordo com Lopes, após o disparo, a tinta invisível a olho nu deixaria rastros em qualquer superfície ou corpo tocado pelo projétil. Segundo o pesquisador, os traços da tinta poderiam ser revelados por "um grande acervo analítico", desde o luminol até exames laboratoriais por espectrômetro de massa e de plasma.

Lopes reconhece que a implantação depende de uma mudança na legislação federal, que regula o uso de armas de fogo, para a permissão da fabricação destas munições em escala industrial. Em sua mala direta, o ex-prefeito Cesar Maia ironizou a iniciativa. "Isso deve ser piada. Imagine quanto passa a valer essa munição para os traficantes acusarem PMs por mortes, ou mesmo para que pistoleiros possam matar à vontade, incriminando policiais", escreveu. O pesquisador rebateu. "Isto é falta de informação. Ele deve estar pensando que nós vamos pintar cada bala com tinta de parede", minimizou.

Especialista em armamento, munição e balística, Flávio Pacca também duvidou da eficácia da tinta invisível. "Será o mesmo caso dos estojos com munições numeradas, que já foram implantados. A segurança de que o tiro partiu da polícia acaba na primeira munição extraviada ou perdida durante uma operação. Sabemos que isto acontece muito. Se marcar balas fosse uma boa ideia, os países mais desenvolvidos cientificamente já teriam adotado a inovação", opinou.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Banda gospel do Bope leva paz às comunidades.


Tropa de Louvor é o grupo formado por membros do Batalhão de Operações Especiais, que realiza shows-cultos e se apresenta com a arma na cintura e a Bíblia na mão direita

'Se queres a paz, prepara-te para guerra'. A frase estampada em latim na parte de trás da camisa preta é o aviso que os integrantes da Tropa de Louvor deixam por onde passam. A banda gospel é formada por membros dos Caveiras de Cristo, policiais evangélicos que integram o Batalhão de Operações Especiais (Bope). A Tropa realiza cultos-shows nas comunidades pacificadas e cria uma nova vertente de comportamento, por vezes contraditório, na unidade em que seus homens são treinados para matar.
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Antes de cada apresentação, todos os músicos do grupo Tropa de Louvor se reúnem e se abraçam em volta da bateria para fazer uma oração | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

“Deus está neste lugar”, diz o sargento do Bope e pastor da Igreja Assembleia de Deus Carlos Mello, para um grupo de 200 pessoas, entre eles pastores e padres, no culto-show do Borel, no sábado à tarde. Com a tradicional farda do Bope, o emblema da caveira no braço esquerdo e a Bíblia na mão direita, ele conta seus testemunhos de conversão e convida os moradores para uma tarde de louvor: “Estamos aqui trazendo a palavra do Senhor”.

O público, tímido no início, não demora a se acostumar com a cena do palco: um coral de homens de preto, com coldres e armas na cintura, cantando e orando. A quadra da Escola de Samba Unidos da Tijuca se transforma então numa espécie de templo evangélico dos Caveiras de Cristo.

No culto, animado pela Tropa de Louvor, a interação com os moradores é mantida o tempo inteiro. Além dos momentos de cura e libertação, a banda abre para o plateia um espaço para uma espécie de show de calouros evangélico. Neste momento vale tudo: alguns anunciam o CD que será lançado, outros cantam funk-gospel e ainda há os que aproveitam para prestar depoimentos como o de uma ex-alcoólatra.

“É a primeira vez que os vejo. Estou realmente surpresa. Desmistifica aquela imagem do Bope nos lugares com o Caveirão e para matar”, disse a auxiliar de creche, Andréia Cristiane de Albuquerque, 34 anos.

Público cresce a cada apresentação

A favela do Borel, na Tijuca, foi a quarta comunidade com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em que a Tropa de Louvor se apresentou — e a que atraiu o maior número de fiéis, cerca de 200. Na primeira tentativa de aproximação do grupo com moradores, no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, apareceram 20 pessoas. No segundo culto, na Ladeira dos Tabajaras, foram 30 moradores. E no Morro da Providência, na Gamboa, eram apenas 10 pessoas. “Não soubemos convidar os moradores”, admitiu o sargento do Bope, Max Coelho.

Prova de que o culto organizado pelo Bope é marcado pelo diferencial está na plateia: lado a lado padres e pastores rezam de mãos dadas. “Isso aqui traz esperança”, diz o padre da Paróquia São Camilo, na Tijuca, José Patrício de Souza, 63 anos. Para o bispo da Igreja Evangélica Pentecostal Salvação por Cristo, Antonio Ferreira, 75 anos, o culto não é para falar de religião: “Estamos aqui para unir pessoas”.